Macarrão com picadinho
— Égua, eu não acredito! Toda vez é a mesma coisa – o professor de Língua Portuguesa entrou esbravejando na sala dos professores. Era já quase final do intervalo, que ele havia perdido quase que por completo, por ter sido chamado à direção para conversar sobre reclamações de alunos e sobre as atividades para a realização da prova SAEB e ENEM, que os alunos do terceiro ano fariam dali a poucas semanas. Os professores presentes só olharam e não falaram nada, enquanto ele aborrecido ia largando as coisas dele sobre a mesa e se largava no sofá segurando o copo térmico com café que sempre o acompanhava. Ele sorveu um gole. Respirou fundo. A professora de Sociologia veio até ele e perguntou o que tinha acontecido dessa vez. Ela era assim, sempre companheira e parceira, algo raro na Sala da Justiça, para não chamar de outra coisa. — Ah, o de sempre, né? – ele respondeu com mais um suspiro, derrotado. — Esses alunos não querem fazer nada, não querem ser chamados à responsabilidade e desce...