Postagens

Vai pra casa, Renata!

 — Professor! Eu ouvi uns barulhos estranhos ontem no terceiro andar, daí eu subi para ver o que estava acontecendo e não tinha ninguém! NINGUÉM! Estávamos em meio a aula de textos narrativos e, como eu sou muito legal, tinha os deixado escolher que gênero ficcional eles gostariam de estudar. Entre ficção científica e terror e horror, eles ficaram com esses dois últimos. Eu estava doido para trabalhar com o outro, mas fazer o quê, né? Só me restava seguir o casquinho de Caronte... O comentário da Roberta foi uma resposta a uma pergunta que tinha feito sobre coisas que eles consideravam assustadoras na escola, porque logo eles fariam uma atividade de produção escrita em que deveriam criar uma historinha de terror escolar. — Ah, que horas foi isso? – perguntei pra ela sem demonstrar muita surpresa com o fato. A escola sempre estava barulhenta, mesmo quando não tinha aluno. Depois de uns anos no ensino público e passando por alguns colégios, comecei a achar que isso era um efeito tipo...

Macarrão com picadinho

 — Égua, eu não acredito! Toda vez é a mesma coisa – o professor de Língua Portuguesa entrou esbravejando na sala dos professores. Era já quase final do intervalo, que ele havia perdido quase que por completo, por ter sido chamado à direção para conversar sobre reclamações de alunos e sobre as atividades para a realização da prova SAEB e ENEM, que os alunos do terceiro ano fariam dali a poucas semanas. Os professores presentes só olharam e não falaram nada, enquanto ele aborrecido ia largando as coisas dele sobre a mesa e se largava no sofá segurando o copo térmico com café que sempre o acompanhava. Ele sorveu um gole. Respirou fundo. A professora de Sociologia veio até ele e perguntou o que tinha acontecido dessa vez. Ela era assim, sempre companheira e parceira, algo raro na Sala da Justiça, para não chamar de outra coisa. — Ah, o de sempre, né? – ele respondeu com mais um suspiro, derrotado. — Esses alunos não querem fazer nada, não querem ser chamados à responsabilidade e desce...

RICARDO NÃO FOI PARA O OITAVO

Para a professora Caroline de Oliveira, que compartilhou a ideia que fez esse conto nascer. — Qual é, professora, deixa de caô! Eu nunca tive uma atividade avaliativa com as respostas apagadas quando as fiz de lápis, mesmo o profe tendo dito que só aceitaria se fosse à caneta. Isso aí que você está falando é pura potoca. Potoca brabíssima!