RICARDO NÃO FOI PARA O OITAVO
Para a professora Caroline de Oliveira, que compartilhou a ideia que fez
esse conto nascer.
— Qual é, professora, deixa de caô! Eu nunca tive uma atividade avaliativa com as respostas apagadas quando as fiz de lápis, mesmo o profe tendo dito que só aceitaria se fosse à caneta. Isso aí que você está falando é pura potoca. Potoca brabíssima!
Essa criança fofa é o Ricardo. Ricardo é meu aluno do sétimo ano do Ensino Fundamental II em uma das escolas da Rede Pública de Ensino do Estado em que trabalho como professora de Língua Portuguesa, todas as manhãs. Ricardo é o típico menino de sétimo ano, que começa a se tornar adolescente e que a maioria dos pais já começa a deixar de acompanhar na escola, por estar crescido, e que se acha já um adulto e que se manda e pode mandar nos outros e fazer o que bem entende, por conta dessa confiança nele depositada: a de que já sabe se virar.
— Bom, talvez os professores até o presente momento ainda não estejam cansados o suficiente para que os nossos queridos amigos duendes entrem em ação – lhe respondi tentando manter a minha narrativa sobre o porquê os alunos deviam fazer as atividades seguindo as orientações que dávamos. — Talvez, você só tenha dado sorte. Muita sorte. Mas há uma coisa muito engraçada sobre a sorte. Você sabe o que é? – perguntei enquanto lhe sorria por cima das minhas mãos entrelaçadas na qual eu apoiava o meu queixo.
E antes que ele pudesse me responder, arrematei:
— Ela acaba – disse-lhe abrindo minha boca em um sorriso todo dentes, em um sorriso de quem não será lá muito tolerante com o próximo desrespeito.
— Se eu sou sortudo, é lógico que continuarei sendo – ele disse estufando o peito lá da carteira em que estava sentado, no fundo esquerdo da sala. Aquele lugar que possibilitava que ele ficasse no ponto cego de quem entra na sala, mas que o permite observar a tudo e a todos. E permitia mesmo, ainda mais porque Ricardo era aquele menino magricela que crescera demais. Ele sempre estava lá todo corpo, desengonçado, é verdade. Mas sempre estava lá, todo corpo, pernas esticadas sobre a cadeira da carteira da frente. Pernas finas cobertas por uma calça jeans skinny que parecia folgada e também não dar conta do comprimento daquela criança. Um Pernalonga, que findava em um par de chinelas que pareciam já ser número 40. Era um bom lugar para ficar, aquele em que ele permanecia em sala de aula. Confesso que eu mesma gostava desse canto, quando era uma estudante, ainda mais por, diferente dele, ter sido sempre baixinha o que me fazia desaparecer na sala de aula.
— Você apostaria a sua aprovação para a próxima série? – perguntei muito séria olhando em sua direção.
— Pode ter certeza que sim – ele respondeu transbordando aquela confiança tola e infantil de quem se acha o maioral.
— Então está bem. Na próxima semana de avaliações, entregue todas as provas respondidas a lápis, apenas com o seu nome à caneta, combinado?
— Combinadíssimo.
— Certo. Venha aqui e vamos firmar esse contrato com um aperto de mão.
E foi o que ele fez. Ele se levantou e veio até mim todo empertigado. Estendeu a mão quando chegou à minha mesa. Selamos o acordo.
Durante toda essa interação, a classe assistia a tudo muito interessada, inclusive emitindo opiniões “Cê é doido. Não compensa”, “Deixa de graça, Ricardo” e “Esse é macho mesmo”, “Muita ousadia, nenhum bom senso” e um monte de outras coisas que eles estão habituados a falar e que muitas vezes não tem relação nenhuma com a situação.
Passado um par de semanas, entramos no período de avaliações finais daquele ano letivo e o garoto cumpriu com a sua palavra, fez todas as provas a lápis, apenas registrando o nome à caneta, tanto no cabeçalho como na lista de frequência.
Todos os professores registraram que o menino havia feito a prova se seguir as orientações, tanto orais como impressas nas atividades avaliativas. Todos registraram o seu descontentamento em relação a isso, principalmente quando a coordenação pedagógica disse que a prova dele deveria ser corrigida como a de qualquer outro que seguira as regras. Sendo assim, o que não tinha remédio, remediado estava e eu, que nada podia, obedeci porque tenho juízo. Fui lá corrigir a prova de Ricardo junto com as provas dos alunos de todas as minhas oito turmas com mais de quarenta alunos.
Pelo menos essa era a minha intenção, só que, fato curioso, quando cheguei na terceira noite de correção e peguei o pacote de provas do sétimo b, a turma de Ricardo, vi que a prova dele estava totalmente em branco. Não havia nada escrito à lápis, embora eu tivesse certeza que ele havia respondido todas as questões, algumas até mesmo corretas, quando olhei uma primeira vez, ao recebê-la de suas mãos magricelas. Não havia nem mesmo marcas de lápis, indicando que o conteúdo das respostas tivesse sido apagado com borracha. Tudo tinha sumido, como em um passe de mágica.
Ri de nervoso.
Será se a historinha que eu havia criado para tentar fazer com que os alunos, como o Ricardo, seguissem as orientações que passávamos para as realizações das atividades tinha se tornado realidade? Será que de alguma forma eu havia criado sem saber criaturas mágicas, no caso duendes, que se solidarizavam com os professores cansados que tinham que corrigir trabalhos feitos todos de qualquer jeito e sem nenhum parâmetro ou guia? Será se agora eu tinha os meus próprios Risadinhas? Ou será que eu estava apenas cansada e delirando, já à beira de uma estafa mental? Afinal, já era final de ano letivo. Ano letivo de prova SAEB e, infelizmente, além de dar aula para os queridos dos sétimos anos, ainda estava em mais duas séries prioritárias das ações pedagógicas da prova de avaliação, os nonos e os terceirões, que ainda teriam pela frente a realização do ENEM. Era de enlouquecer qualquer um!
Eu provavelmente tinha enlouquecido, porque imaginar que realmente existiam, por minha causa, pequenas criaturas semelhantes a roedores, que faziam diatribes com alunos que não seguiam as orientações de trabalhos escolares, do mesmo jeito que na história dos risadinhas em que pais eram punidos quando davam broncas nos filhos sem que eles realmente tivessem culpa do que tivesse acontecido, era loucura! Aquilo era história de livro infantil e, mesmo que eu fosse professora de Língua Portuguesa e estivesse muitas vezes imersa nesse tipo de narrativa por causa do trabalho, eu não era personagem de histórias assim, simplesmente porque eu vivia na concretude do mundo real.
Então, devia ser delírio mesmo. Por isso, resolvi deixar para verificar as prova do sétimo b, meu último pacote de prova para entregar na secretaria da escola, no dia seguinte pela manhã, já descansada.
Só que, no dia seguinte, a prova de Ricardo continuava do mesmo jeito: apenas com o nome escrito à caneta e nenhuma resposta a lápis ou qualquer vestígio de que algo tinha marcado os espaços destinados às respostas. Até tentei verificar se o garoto não tinha, só de brincadeira, escrito o nome dele em mais de uma cópia da avaliação, deixando-a em branco, enquanto em outra, posto as respostas que eu sei que ele tinha dado. Não havia.
Então, só me restou uma coisa a fazer: comunicar a coordenação pedagógica que a prova do aluno estava em branco, mas que eu tinha certeza que ele a tinha respondido completamente.
— Que estranho, professora Lúcia, você já é a terceira professora que vem com a gente relatar a mesma coisa – me informou a coordenadora ligeiramente nervosa.
— Como é que é? – perguntei me sentando na cadeira que ficava à frente da mesa dela.
— Pois é. Mais cedo o professor de História e o professor de Matemática estiveram aqui e, assim como você, eles disseram a mesma coisa, que a prova do Ricardo estava totalmente em branco, sem nenhuma marca de escrita ou rabisco, a não ser pelo nome escrito à caneta no cabeçalho – ela disse piscando várias vezes, como se estivesse ainda tentando processar as informações surreais que estava me relatando.
No decorrer do dia, fiquei sabendo que mais professores foram à sala da coordenação, preocupados com isso de ter uma prova em branco do nada, de um aluno que eles tinham certeza absoluta havia respondido todas as questões da avaliação nas provas das disciplinas deles.
***
Na hora do intervalo do turno vespertino, um clima de tensão e ansiedade se instalou na sala dos professores. Quando entrei, o professor de Geografia se servia do nosso habitual café extraforte amargo, porque de doce já nos bastava a sala de aula e os nossos queridos alunos, sempre tão educados, sempre tão responsáveis. O professor de Matemática conversava com a professora de Ciências...
— Isso é um absurdo! Quer dizer, a gente tem como comprovar que ele não tem como ter nota, que ele estava aqui no dia da prova, que ele pegou a avaliação. Não tem porque a gente reaplicar a prova só pra ele, ainda mais a mesma prova! – dizia com indignação o professor balançando perigosamente o seu copo de café.
— Pois é. Fora que isso abre precedentes, né? Imagina os alunos que entregaram a prova em branco ou parcialmente sabendo disso? Porque eles vão acabar sabendo – acrescentou a professora de Ciências em um tom de desaprovação a toda a situação.
— Como sempre a culpa é sempre nossa e nós que temos que dar um jeito – concluiu como sempre o professor de História, se aproximando dos dois.
— É por isso que eles nunca respeitam as regras da escola, elas não são respeitadas nem pela própria coordenação. Pra começo de conversa, o Ricardo, por exemplo, devia ter zero desde o primeiro bimestre por sempre entregar tudo feito a lápis. Ok, que ele é até um bom aluno, no que se refere a fazer bem os trabalhos, acerta sempre as questões dos exercícios, mas essa falta de respeito às normas e às orientações, é um saco!
Concordei com o professor de Geografia. Ricardo não era um aluno ruim no que dizia respeito a saber o conteúdo. Como isso acontecia, não conseguíamos imaginar, porque ele não era de prestar atenção nas aulas, muito menos de copiar os assuntos. E nem era uma coisa de achar que ele colava ou que alguém fazia os trabalhos por eles, pois o garoto se dava bem sempre, mesmo quando fazia as atividades em separado da turma, situação que não era rara, devia a seu comportamento sempre combativo e arrogante em sala de aula, fosse com colegas ou com quem quer que fosse na escola. Nem a diretora escapava. Eu estava exausta com tudo isso e com tudo o que veio antes e com a perspectiva do que ainda estava por vir.
— Bem que ele podia simplesmente desaparecer. Ou melhor, nunca ter existid... – eu disse.
E, quando eu estava para terminar, pela minha visão periférica, vi um movimento perto do canto do sofá. Aquele canto entre ele e a parede que o ladeava. Pareceu como se um pequeno animal, do tamanho de uma criança de dois anos de idade se levantasse e com orelhas grandes ficasse atento e alerta ao que estava acontecendo. E então sumiu. Não havia nada ali quando olhei com atenção. Nenhum colega pareceu perceber esse movimento e nem a minha interrupção. Nenhum deles discordou do que eu disse, e alguns deles, tive a ligeira impressão, me deram um olhar de quem desejava o mesmo. Por algum motivo, esses pequenos fatos me fizeram estremecer.
Porque, veja bem, não é que nós odiássemos Ricardo, ou qualquer outro aluno difícil. Não, era isso. Na realidade esse desejo não era algo voltado para crueldade, mas o sintoma de um cansaço docente, generalizado, com tudo o que passávamos com alunos assim e a falta de apoio e escuta por parte de quem estava acima de nós, dos pais e de toda a estrutura educacional que cada vez mais nos cobrava performance e desempenho e resultados e números. Todos nós, tínhamos a impressão que não éramos vistos como pessoas, e sim como máquinas. Máquinas de um futuro de um dos diversos filmes do Exterminador, só que na versão docente.
O sinal tocou enquanto eu fazia essas elucubrações. Nesse momento, a coordenadora entrou na sala e pediu um minuto para informar que Ricardo faria as provas na quinta e na sexta-feira e nos entregou o cronograma das provas a serem aplicadas. Ele faria a minha prova na quinta, a qual eu deveria pegar na coordenação no dia seguinte, para a correção. Isso seria no dia seguinte. Após o aviso, fomos liberados para irmos para as salas, dar as nossas aulas pós-intervalo.
Eu fui a última a sair de sala e, ao passar pelo corredor que dava nas alas da equipe diretiva, vi um aglomerado de alunos do nono ano, falando alto e gesticulando de forma nada gentil em direção a vice-diretora...
— Por que esse menino do sétimo ano vai refazer as provas? Isso não é justo! – gritava uma menina, do nono A.
— É. E ainda por cima, será uma prova que ele já sabe quais são as questões – emendou um aluno do nono B.
— Eu também quero refazer as provas – gritaram alguns alunos que estavam ao redor, de outros nonos e que eu não conhecia por nem ser a professora deles.
Passei por um atalho entre os blocos, para não ter que passar por eles, que me viram, mas me ignoraram, pois o foco deles era a vice-diretora. Ainda bem, pensei aliviada.
As aulas de depois do recreio foi um caos ainda maior. Mais do que o normal, porque além de alunos ainda elétricos por terem passado 20 minutos correndo de um lado pra outro, suados e fedidos; teve ainda o acréscimo da indignação com toda a situação do aluno do sétimo B.
E não pude me impedir de pensar novamente que ele podia nunca ter existido...
***
A primeira coisa que fiz ao chegar à escola na sexta-feira foi ir até a sala da coordenação pegar a prova do querido para corrigir, mas qual não foi a minha surpresa quando a coordenadora me disse que não sabia do que eu estava a falar?
— Lúcia, não tem nenhuma prova de nenhum Ricardo do sétimo B. Nós nem temos um aluno com esse nome na turma.
— Como assim, Quitéria? Ontem ele fez a minha prova pela segunda vez e eu tinha que pegar hoje. Você mesma entrou na sala dos professores para dar os informes sobre essa situação – disse-lhe incrédula.
— Eu?! Lúcia, você está bem? Você não está confundindo com alguma outra escola em que você trabalha? – ela me perguntou contornando a própria mesa e vindo para o meu lado, colocando uma das mãos no meu ombro. Eu estava sentada. Ela ficou em pé, olhando fundo nos meus olhos após me fazer essas perguntas.
Eu não soube o que responder e ela me disse para tomar uns quinze minutinhos para tomar uma água, um café e por as ideias no lugar, antes de subir para as aulas do turno. Foi mais ou menos o que fiz. Na sala dos professores, sondei alguns colegas. Eles também não sabiam do que eu estava falando e também me perguntaram se eu não estava confundindo as escolas em que trabalhava. Outros ainda fizeram piada, dizendo que eu estava a beira de um colapso mental e precisava descansar, porque ainda tínhamos mês de aula pela frente, antes do recesso de final de ano.
No sétimo B, nada de Ricardo. Seu nome também não constava na folha de frequência impressa e nem no diário online, instrumentos que tínhamos que alimentar religiosamente em todas as turmas, por causa da busca ativa. Os alunos também não sabiam de quem eu estava falando, quando perguntei do aluno que sempre sentava no fundo da sala, encostado na parede, no canto esquerdo.
— Tia, ninguém senta lá. Nunca sentou – me disse a representante de turma, com um olhar que demonstrava preocupação?
— Ah, tudo bem. Eu só devo estar cansada e confundindo as turmas e as escolas – disfarcei.
— Hoje a aula é livre.
— Aeeeee – eles gritaram batendo nas mesas.
— Só não pode pegar o celular – disse tentando ser mais rápida que eles, mas já tinha criança com o celular na mão.
— Ah, tia.... Só um pouquinho, vai?! – alguns imploraram.
— Vocês sabem que não pode. Se vocês não obedecerem eu vou pro quadro enchê-lo com texto para vocês copiarem. Guarda o celular, Thalita.
— Tá bom. Tá bom. Já estou guardando...
***
De noite, depois de largar as minhas coisas sobre a mesa da cozinha, tomar um banho e esquentar algo para comer, fui até o meu escritório pegar um livro para ler jogada no meu sofá na companhia do Hades, meu gatinho tigrado. Quando estava tirando da estante um daqueles romancinhos água com açúcar de banca de revista, vi sobre a mesa um pequeno embrulho em papel pardo amassado e mal feito. Ao lado, um pequeno bilhete em uma letra toda tremida, como se tivesse sido escrito por uma criança em processo de alfabetização:
Bom finau de semana, pró.
Embaixo, o desenho de uma criancinha com feições meio que de roedor e uma mulher, que parecia ser eu.
Abri o pacote.
Dentro, um globo de vidro tamanho médio, desses que na maioria das vezes aparecem em filmes com tema de final de ano, com a diferença que dentro, tinha uma criança sentada em uma carteira que parecia ser muito pequena para ele. Ela estava curvada sobre a mesa, como quem faz alguma atividade. Ao redor da carteira, várias folhas de papel que estariam em branco, não fosse por ter uma linha escrita no topo, meio que dando a entender que seria o nome...
A criança me lembrava vagamente a figura de Ricardo. E quando pensei isso, acabei sussurrando o seu nome e, ao fazê-lo, a imagem levantou os olhos em minha direção...
Semana de avaliação do primeiro bimestre do ano letivo seguinte...
— A prova é para ser feita à caneta azul ou preta. Provas a lápis não serão corrigidas. As orientações estão na prova, caso alguém se esqueça – informei os alunos do sétimo ano.
— Quer dizer que se eu fizer a lápis, eu vou pegar zero, porque vocês são preguiçosos o suficiente para não corrigir uma prova que não está à caneta, é isso mesmo, pró?
Esse querido aí é o Rogério.
— Sabe, Rogério, teve uma vez que eu tive um aluno rebarbado no sétimo ano, assim como você – comecei a dizer enquanto tirava da bolsa um globo de vidro. — O nome dele era Ricardo. Ricardo passou o ano inteiro fazendo todas as atividades a lápis, mesmo a gente dizendo que era para fazer de caneta – continuei, balançando o globo nas mãos e indo em sua direção. — Acontece que, no final do ano, aconteceu algo muito curioso com ele, sabe? – perguntei parando a sua frente e lhe mostrando o globo.
— Ele foi reprovado? Porque vocês não podem reprovar a gente. Eu sei que não – ele disse tentando parecer valente.
Ninguém respirava na sala de aula observando com muita atenção o desenrolar da nossa pequena conversa.
— Não, ele não foi reprovado...
— Viu só! Então, se eu não serei reprovado, nem a prova vou fazer – ele me interrompeu com ar de quem tinha vencido, todo convencido de braços cruzados e um largo sorriso no rosto.
— Você que sabe... – eu disse me aproximando ainda mais dele. — Mas, por favor, olhe bem para esse globo – pedi. — Vê essa criança com o uniforme da escola? – e indicando com o dedo a figura diminuta dentro da redoma de vidro concluí: — Pois é. Esse é o Ricardo... Ricardo não foi para o oitavo.
No fundo da sala, saindo de leve de debaixo de uma carteira, uma criatura do tamanho de uma criança de dois anos de idade com feições de roedor. Ela sorria em minha direção e esfregava as diminutas mãozinhas uma na outra.
Comentários
Postar um comentário